A CooperCarajás realizou agenda no Quilombo Mesquita, no município de Cidade Ocidental (GO), com o objetivo de iniciar a organização do grupo responsável pela certificação orgânica participativa da produção desenvolvida no território. A reunião marcou a criação da comissão que conduzirá as visitas técnicas e os procedimentos necessários para a certificação por meio de uma Organização Participativa de Avaliação da Qualidade (OPAQ). Ao todo, 32 pessoas participaram do encontro, com presença expressiva de mulheres quilombolas, que irão protagonizar a etapa inicial do processo. A proposta é estruturar a certificação de forma participativa, garantindo organização coletiva, controle social e fortalecimento da produção agroecológica. A meta estabelecida é que 100% das mulheres envolvidas nos quintais coletivos integrem o processo de produção orgânica certificada. Durante a reunião, foram definidos os primeiros encaminhamentos para constituição do grupo e organização das visitas necessárias para dar início formal ao processo de certificação. A iniciativa integra a estratégia da CooperCarajás de fortalecimento da agricultura familiar com base agroecológica, ampliando o acesso a políticas públicas, agregação de valor à produção e reconhecimento institucional das práticas sustentáveis desenvolvidas no território. Quilombo Mesquita: história de resistência e permanência O Quilombo Mesquita é uma das comunidades quilombolas mais tradicionais do estado de Goiás, localizado em Cidade Ocidental, na região do Entorno do Distrito Federal. Sua origem remonta ao período colonial, quando descendentes de pessoas negras escravizadas estruturaram no território formas próprias de organização social, produtiva e cultural. Ao longo das últimas décadas, a comunidade enfrentou pressões fundiárias e disputas territoriais, mantendo mobilização permanente na defesa do direito à terra e à identidade quilombola. O reconhecimento oficial como território quilombola consolidou juridicamente uma trajetória histórica marcada por resistência. Atualmente, além da defesa territorial, o Quilombo Mesquita investe no fortalecimento da produção agroecológica e na organização coletiva como estratégia de geração de renda, valorização cultural e permanência no território.